Que o Brasil já vive uma crise de saúde mental com o maior número de afastamentos por esse motivo em 10 anos já sabemos desde 2024. Em 2025, o cenário não só se repetiu como se agravou: mais de meio milhão de licenças foram concedidas por transtornos mentais ( contabiliza-se mais de 546.254 afastamentos), estabelecendo um novo recorde e ampliando o peso da saúde mental no total de afastamentos.

Em 2025, ao todo o país teve 4 milhões de licenças do trabalho, sendo que os afastamentos por ansiedade e depressão cresceram 15% em relação ao ano anterior e, somados, já formam o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no Brasil, perdendo apenas para as doenças da coluna. Entre as mais de 2 mil profissões afetadas, estão justamente aquelas que sustentam a rotina urbana: VENDEDORES DO COMÉRCIO VAREJISTA, FAXINEIROS, AUXILIARES DE ESCRITÓRIO, ASSISTENTES ADMINISTRATIVOS E TRABALHADORES DA LINMHA DE PRODUÇÃO.

À época do primeiro recorde em 2024, o governo discutia mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passaria a incluir a saúde mental entre os itens fiscalizados no ambiente de trabalho, porem após pressão das empresas, a medida foi adiada. No entanto, a solução que os especialistas citam já existia: a atualização da NR-1 e no ano passado, o governo anunciou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece as diretrizes de saúde no ambiente de trabalho. No entanto, após pressão de empresas, o Ministério do Trabalho cedeu e adiou por mais de um ano a validade da medida, PASSANDO A TER VALIDADE A PARTIR DE MAIO DESTE ANO e com a atualização, passaria a contemplar também os riscos psicossociais.

NA PRÁTICA:  O MTE (MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO) passará a fiscalizar as empresas, podendo inclusive aplicar multas caso encontre trabalhadores que estão passando por situações que incluem metas excessivas, jornadas extensas, ausência de suporte, assédio moral, conflitos interpessoais, falta de autonomia e condições precárias de trabalho.

Em números absolutos, os estados mais populosos concentram a maior parte das licenças concedidas em 2025, mas a análise proporcional à população revela um cenário mais complexo, com estados menores apresentando taxas mais altas de afastamento por saúde mental e, só no Estado de Mato Grosso do Sul, que tem um número de trabalhadores inferiores aos Estados mais populosos, foram 9.736 afastamentos por saúde mental.

Segundo os especialistas, situações como vínculos precários, jornadas longas e com pressão constroem um mercado que empurra as pessoas para um estresse crônico e traduzindo no que estamos vivendo. É estrutural! Aponta-se que, sem mudanças estruturais, o avanço dos transtornos mentais tende a se manter, impulsionado por vínculos precários, jornadas longas e instabilidade profissional. Logo, a questão não é mais só de trabalho ou só de saúde de forma isolada, e que chegou a hora de serem necessárias medidas mais duras para transformar esse cenário: 

Exemplo:O psiquiatra atua em uma empresa de consultoria que analisou mais de 150 mil trabalhadores para analisar a prevalência de doenças de saúde mental e o custo aos empregadores. Eles descobriram que as doenças representam um custo de 6% do total da folha de pagamento. Em algumas empresas, isso representa milhões. E junto a isso é válido lembrar também, que tem um custo alto para os cofres públicos. Só com o custo para o INSS nesses afastamentos, estima-se que o valor seja perto de R$ 3,5 bilhões (O INSS não informou o quanto custou ao País essa crise, mas com base nos dados de 2024, as pessoas passaram em média três meses afastadas, recebendo cerca de R$ 2.140 por mês).

Segundo os psiquiatras e analistas ouvidos pelo G1, os transtornos mentais são multifatoriais e não há uma explicação única para o que está acontecendo.

“É preciso que a doença mental não seja o vilão da história. Um dos estigmas é que é fingimento, que as pessoas estão aumentando sua dor. Como psiquiatra, preciso dizer, é difícil simular um quadro de sofrimento. E isso é tão grave que estamos vendo o aumento das taxas de suicídio no país”, explica Gattaz.

 

Fontes: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/01/26/brasil-tem-mais-de-546-mil-afastamentos-por-saude-mental-em-2025-e-bate-recorde-pela-segunda-vez-em-10-anos.ghtml

https://www.cut.org.br/